O Pai nosso, pão nosso... Teu reino, Tua vontade...

-Tema: ORAÇÃO
Mateus 6.9-13
- Introdução: A oração do Pai nosso foi a resposta de Jesus ao pedido dos discípulos: Senhor, ensina-nos a orar” (Lucas 11.1). Precisamos aprender a orar como Jesus. Esta oração nos ensina buscar a resposta onde somente poderia estar: em Deus. Neste diálogo com Deus recebemos bênçãos, mas também rendemos ao Senhor o louvor que lhe pertence.
A oração ensinada por Jesus aponta para duas direções: celeste e terrena. Isso pode ser notado na sequência dos pronomes “nosso” e “teu” mostrando os limites do que é nosso por herança e o que é de Deus. Jesus parece utilizar uma forma poética chamada paralelismo1 muito comum na literatura do Antigo Testamento, onde um verso completa o outro dando sequência ao pensamento anterior, por meio de comparações ou também o dualismo2 mostrando a diferença entre sentidos opostos (bem X mal, luz X trevas...), muito comum no Novo Testamento.

Como você está orando?

Vejamos o que recebemos e o que devemos render a Deus nesta oração:

1- O que é nosso?

Quando estamos diante do Divino reconhecemos nossa humanidade. O ato de se ajoelhar significa que estamos nos quebrando pela metade em rendição a Deus (Filipenses 2.10). Quando oramos estamos nos abrindo para receber o que Jesus conquistou para nós (Efésios 1.3). Esta oração foi ensinada por Jesus para assumirmos coisas que são realmente nossas por herança espiritual.
O que é recebemos na oração:
a) Pai à “Pai nosso” (v.9): Já nesta primeira palavra Jesus ensinou o nível de intimidade que alcançamos na oração (Romanos 8.15). A expressão hebraica abba3 era diminutiva, a primeira palavra aprendida pelos bebês. Deus se doou a nós como Pai para cuidar de nossas vidas quando nos tornamos filhos de Deus (João 1.12). Não somos mais órfãos desamparados, agora temos um Pai a quem recorrer. Na oração recebemos um Pai Celestial!

ASSISTA:
b) Pão à “o pão nosso” (v.11): todos os dias estamos na dependência de Deus para receber do Senhor o sustento não somente o pão físico, mas também o espiritual4, porque “não só de pão viverá o homem, mas de toda Palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4.4). Jesus é o “Pão da vida” que nos satisfaz (João 6.35 e 48). Na oração recebemos o Pão Divino que é Jesus!
c) Perdão à “perdoa-nos” (v.12): recebemos o perdão de Deus para nossos pecados quando confessamos (I João 1.7-9). Só temos o perdão porque este nos foi dado gratuitamente por Deus. Quando oramos recebemos o Perdão de Deus!
d) Dívidas à “nossas dívidas ... nossos devedores" (v.12): somos devedores por causa de nossas ofensas. Estamos sempre tendo que pedir perdão e perdoar alguém. A única coisa que sempre ficamos devendo é o amor (Romanos 13.8), porque nunca conseguiremos amar como Jesus nos amou. Somente Deus, que é rico em perdoar pode nos ajudar quitando a dívida dos nossos pecados na cruz (Colossenses 2.14). Perdoar é um desafio para todo cristão todos os dias e podemos começar a exercitar o perdão orando por nossos inimigos (Mateus 5.44). Quando oramos aprendemos a perdoar!
e) Tentação à “não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal” (v.13): a tentação é puramente humana (I Coríntios 10.13) e não de Deus (Tiago 1.13). Precisamos vencer o mal todos os dias (Mateus 6.34) e para isso buscamos ajuda em Deus através da oração. Quando oramos recebemos forças para vencer a tentação!

Ao receber a Deus como Pai reconhecemos que somos apenas filhos, que precisamos do pão do sustento que vem de Deus, além do perdão e forças para perdoar. Mesmo assim sempre seremos devedores de Deus por seu imenso amor e sujeitos às tentações.
Assuma sua posição diante de Deus na oração!

2- O que é de Deus?

Na oração aprendemos também, além de receber, dedicar ao Senhor o louvor que lhe é devido como tributos de adoração porque Deus é digno (Salmos 96.7).
A Deus somente pertencem:
a) Céus à “estás nos céus” (v.9): tanto a terra como os céus pertencem a Deus (Salmos 89.11) como sua morada (Isaías 57.15). Jesus ensinou que tudo começa no céu e então é confirmado na terra através da oração porque “tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu” (Mateus 18.18). Nossas bênçãos vêm dos céus e é ali que devemos estar em oração (Efésios 2.6). Quando oramos, entramos nos céus na presença de Deus!
b) Nome Santo à “santificado seja o teu nome” (v.9): o nome do Senhor é santo e poderoso como nenhum outro nome (Atos 4.12). Jesus nos deu permissão para orar em seu nome (João 14.13,14), mas este nome pertence a Deus e merece ser respeitado (Êxodo 20.7). Pedir em nome de Jesus significa segundo a sua vontade (I João 5.13,14). A oração deve ser feita em nome de Jesus!
c) Reino à “venha o teu reino” (v.10) e “pois teu é o reino” (v.13): o reino é o domínio de Deus que já lhe pertencem e precisa ser chegado até nós (Mateus 10.6). Por isso a oração começa e termina declarando que o reino é de Deus. Chamar o reino de Deus significa aceitar o domínio do Senhor como maioral em nossas vidas (Romanos 10.9,10). Isso é uma atitude de submissão. De joelhos em oração somos submissos ao Rei Jesus!
d) Vontade à “faça-se a tua vontade” (v.10): Deus tem planos perfeitos para nós (Jeremias 29.11) e sua vontade é “boa, agradável e perfeita” (Romanos 12.2). Os planos humanos são falhos e passageiros (Provérbios 16.1). Por isso devemos buscar a vontade de Deus em oração e não apenas fazer pedidos apresentando nosso querer. Mesmo assim, quando amamos a Deus e alinhamos a nossa vontade com os seus propósitos, o Senhor “satisfará o desejo do teu coração” (Salmos 37.4). Através da Palavra de Deus podemos conhecer a vontade do Senhor. Na oração aceitamos a vontade de Deus!
e) Poder e Glória à “pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre amém” (v.13): embora a humanidade sempre busque estas coisas, seu poder e glória são passageiros, mas para Deus é eterno. Precisamos reconhecer o poder e a glória de Deus em nossas vidas por meio de frutos (João 15.8). Quando estamos fracos, impotentes e percebemos que não temos mérito algum, então entendemos que toda força, poder e glória vem do Senhor (II Coríntios 12.7-10). Quando o Espírito Santo está em nossas vidas recebemos o poder de Deus (Atos 1.8). Em oração rendemos glória e recebemos o poder de Deus!

Enquanto oramos entramos nos céus espiritualmente onde Deus está, adoramos seu Santo Nome e pedimos tudo em nome de Jesus, aceitamos o reino e domínio do Senhor sobre nós através de sua vontade. Então cheios do poder do Espírito Santo rendemos glória ao Senhor.
Entregue a Deus o que lhe é devido em oração!

Aprenda a orar com Jesus!

-CONCLUSÃO:
As mãos abertas estão prontas para entregar e também para receber. É isso que fazemos na oração. Um ato de entrega ao Senhor e também de abertura para aceitar o que tem para nós.
A Oração do Pai Nosso abrange a totalidade das necessidades humanas tanto físicas como espirituais5. Não existe nada que não possa ser conquistado em oração. Por isso a vida devocional deve ser constante e ininterrupta em nossas vidas (I Tessalonicenses 5.17).
Quando orar, receba o que Deus te deu, mas também entregue o que o Senhor merece. Oração não é somente pedir, porque Deus não é nosso servo para ter que fazer tudo que pedimos, mas nós que devemos servir a Ele nos dispondo para ser e receber o que tem nos dado.
Todas as bênçãos já existem nas regiões celestes (Efésios 1.3 e 2.6). Quando oramos chegamos a Deus e alcançamos o que o Senhor tem preparado para nós. A oração é para Deus, mas também é para nós a resposta, pois o Espírito Santo nos ensina orar como convém (Romanos 8.26).
Ore recebendo bênçãos e entregando adoração!
______________________________
Citações Bíblicas: Revista e Atualizada, Sociedade Bíblica do Brasil.
1 SANTOS, João Batista Ribeiro. Dicionário Bíblico: conhecendo e entendendo a Palavra de Deus. São Paulo: Didática Paulista, 2006. Página 405.
2 GABEL, John B; WHEELER, Charles. A Bíblia como literatura: uma introdução. São Paulo: Loyola, 1993 (Coleção Bíblica Loyola, n. 10). Página 142 e 143.
3 STONG, James. Dicionário Grego do Novo Testamento. Bíblia de Estudo Palavras-Chave: Hebraico. Grego. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Corrigida. Rio de Janeiro: CPAD, 2011. Página 1503 verbetes 1, 2 e página 2345 verbete 3962.
4 WESLEY, John. Notas explicativas de John Wesley sobre o Novo Testamento: Evangelhos e Atos – Tomo I. Tradução de Angelino Junior do Carmo. Belo Horizonte: Filhos da Graça / Noah Edições, 2015. Página 46.

5  Idem. Páginas 44-46.

Pr. Welfany Nolasco Rodrigues Publicado por Pr. Welfany Nolasco Rodrigues

Pastor Metodista e pregador do evangelho. Escritor de esboços e sermões.
Formação: Bacharel em Teologia pela UMESP - Universidade Metodista de São Paulo.
Pós Graduação em Filosofia pela ISEIB - Instituto Superior de Educação Ibituruna.
Licenciatura em Letras pela ISEED - Instituto Educacional Elvira Dayrell.
Extensão em Grego Bíblico pela MACKENZIE - CPAJ.
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3 comentários:

  1. A paz do Senhor e realmente Deus nao e nosso servo para para nos obrigarmos a nos dar o que queremos mais nos e que somos seus servos e precisamos receber o que deseja

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  2. Deus Pai obrigado pelas Tuas bencaos por Cristo Jesus. Eu e a minha casa adoraremos ao SENHOR. Amem.

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  3. Amem.. assim crescemos na graça e no conhecimento...

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