O Bode Expiatório

Tema: SANTIFICAÇÃO

bode expiatório

Levítico 16.5-10

Introdução: A expressão “bode expiatório” tem o sentido de alguém que paga pelos erros de outra pessoa. No dia do sacrifício para expiação dos pecados eram oferecidos dois bodes de formas diferentes, onde um era sacrificado no altar e outro enviado para morrer no deserto. Ambos os bodes eram entregues como expiação pelo povo (Levítico 16.2-4).

Esta cerimônia com dois bodes recebe uma ligação com a história de Nadabe e Abiú (Levítico 16.1), os dois filhos de Arão que sacrificaram de forma imprópria e por isso foram condenados (Levítico 10.1,2). Então deveria ser feito um sacrifício pelos sacerdotes (Levítico 16.11-14) e por todo o povo (Levítico 16.15-28), mostrando a importância de se consagrar e a seriedade do ministério sacerdotal, bem como do sacrifício.

Algumas versões bíblicas trazem o nome Azazel no lugar de emissário ou expiatório, que é a tradução correta, significando “aquele que vai embora” (עֲזָאזֵל = Azazel)1. Isso causou uma confusão muito grande fazendo pensar que o bode seria enviado para um lugar chamado Azazel ou que este seria o nome de um ser mitológico e diabólico2. Contudo estas interpretações não têm fundamento, porque seria um sacrifício para demônios, ou pior ainda comparando o diabo com Cristo, como se o inimigo também recebesse ou fizesse sacrifício. A cabala judaica ensina que este bode era para acalmar a ira do diabo com oferendas, o que é uma heresia (Levítico 17.7).3

Os dois bodes, inclusive o bode emissário, na verdade representam o sacrifício de Cristo por nós para sempre (Hebreus 9.26). Jesus se entregou para morrer por nossos pecados. Então estes dois bodes também podem representar dois tipos de pessoas por quem Jesus morreu: aqueles que o aceitaram e aqueles que preferiram morrer no deserto.


Assista esta pregação:


Você aceita o sacrifício de Cristo?

Vamos aplicar o sacrifício de Cristo por nós comparando com dois tipos de pessoas:


1- O bode para o sacrifício: VIDA NO ALTAR

Levítico 16.9 “Arão fará chegar o bode sobre o qual cair a sorte para o Senhor e o oferecerá por oferta pelo pecado.”

O primeiro bode era sacrificado ao Senhor e o seu sangue era para consagrar o altar (v.18). A morte de Jesus na cruz foi para se oferecer por nossos pecados e nos purificar de todo mal (Isaías 53.4,5).

A pessoa que entende e aceita o sacrifício de Jesus por sua vida é como este bode oferecido no altar de Deus e tem o privilégio de servir na presença do Senhor, entregando sua vida, carregando sua cruz e morrendo todos os dias para o pecado (Marcos 8.35-38).

Faça de sua vida um altar para Deus e sacrifique todos os desejos da carne para viver na presença do Senhor de acordo com a sua vontade, que certamente é sempre o melhor (Romanos 12.1,2).

Entregue sua vida no altar!

 

2- O bode emissário: SOFRER NO DESERTO

Levítico 16.10 “Mas o bode sobre que cair a sorte para bode emissário será apresentado vivo perante o Senhor, para fazer expiação por meio dele e enviá-lo ao deserto como bode emissário.”

O segundo bode era solto no deserto, onde morreria de sede ou devorado pelas feras. Flávio Josefo diz que “dois bodes, um dos quais é levado para fora do acampamento, para o deserto, a fim de que o castigo que o povo mereceria receber por seus pecados caia sobre sua cabeça”4.

Assim como Nadabe a Abiú não quiseram o sacrifício do altar e por isso pereceram, o bode que seguia pelo deserto representa quem decide viver longe do altar e consequentemente longe de Cristo. Não podemos esquecer que o altar é lugar de sacrifício e não um palco de aparências (Levítico 16.18-20).

O povo de Deus também caminhou no deserto e por causa da murmuração, ficaram andando em círculos e sofreram muito. Jesus foi para o deserto onde foi tentado pelo diabo, mas resistiu no poder do Espírito Santo (Mateus 4.1-11). Mas Jesus morreu por todos nós e depende de cada um escolher viver em sua presença ou sofrer no deserto deste mundo (João 1.12).

Infelizmente muitos cristãos, assim como o povo de Deus também estão circulando desertos, murmurando, colocando a culpa de seus erros nas pessoas, ficando solitários, fugindo do seu lugar que é o altar do Senhor, por isso, o calor e as feras os afligem acabam sacrificando suas vidas por não obedecer, mas “obedecer é melhor do que sacrificar” (I Samuel 15.22).

Não viva no deserto!

 

Faça a escolha certa!

CONCLUSÃO

Levítico 16.21,22 “Arão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode vivo e sobre ele confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel, todas as suas transgressões e todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem à disposição para isso. Assim, aquele bode levará sobre si todas as iniquidades deles para terra solitária; e o homem soltará o bode no deserto.”

Jesus morreu por cada um de nós, mas uma escolha deve ser feita, viver no altar ou seguir pelo deserto. A vida abundante prometida por Cristo é consequência de uma entrega no altar de Deus (João 10.10), mas enquanto isso o inimigo tem roubado muitas bênçãos de quem não escolhe se entregar e por isso anda no deserto.

O altar não é fácil, exige sacrifício e dor, sangue e cinzas, mas o poder de Deus se manifesta e transforma em vida. Já o deserto é lugar de solidão e tristeza, onde o tempo é longo, extremamente quente ou frio, além de ser perigoso e mortal. Não culpe os outros por seus erros, nem brinque com Deus, mas procure se aproximar cada vez mais do seu lugar que é o altar do Senhor.

A escolha é sua!

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Citações Bíblicas: Bíblia NAA Nova Almeida Atualizada, Sociedade Bíblica do Brasil.

1 STRONG, James. Dicionário Grego do Novo Testamento. Bíblia de Estudo Palavras-Chave: Hebraico. Grego. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Corrigida. Rio de Janeiro: CPAD, 2011. Página 1834, verbete 5799 e 5800.

2 CHAMPLIN, R. N. Ph. D. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2014. Volume 1. Página 536,537.

3 CHAMPLIN, R. N. Ph. D. Dicionário A-L. São Paulo: Hagnos, 2014. Volume 6 Página 58.

4 JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, 1990. Obra completa. Tópico 131, Página 101.


Rev. Welfany Nolasco Rodrigues

Pastor Metodista. 44 anos. Casado com Ássima, pai de Heitor e Hadassa. Natural de Muriaé MG. Bacharel em Teologia pela UMESP.

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